Com a chegada das festas juninas, período marcado por fogueiras, fogos de artifício, comidas quentes e celebrações familiares, médicos anestesiologistas fazem um alerta para um dos acidentes mais graves e dolorosos atendidos nos hospitais: as queimaduras.
Dados levantados no setor de queimados do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, a pedido da Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas do Rio Grande do Norte (COOPANEST-RN), mostram que entre dezembro de 2025 e abril de 2026, 135 pacientes precisaram de internação especializada em decorrência de queimaduras. Mais da metade dos casos teve origem dentro de casa, principal cenário desse tipo de acidente.
Mas, o período junino tradicionalmente exige atenção redobrada das famílias. O uso inadequado de fogos de artifício, a proximidade de crianças com fogueiras, além do contato com líquidos superaquecidos durante o preparo de alimentos típicos, aumentam significativamente o risco de acidentes.
As crianças estão entre as principais vítimas. O levantamento aponta que as escaldaduras — queimaduras provocadas por líquidos quentes — figuram entre as ocorrências mais frequentes, especialmente na população infantil. Panelas no fogo, recipientes com líquidos ferventes e alimentos recém-preparados representam riscos muitas vezes subestimados dentro do ambiente doméstico.
Para o diretor da Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas do RN, o médico Rogério Nei, a queimadura está entre os traumas que mais provocam sofrimento físico e emocional. Além da lesão na pele, o paciente frequentemente enfrenta dores intensas, necessidade de múltiplos procedimentos cirúrgicos, longos períodos de internação e um processo de recuperação que pode deixar sequelas permanentes.
Diretor da COOPANEST-RN explica que o anestesiologista desempenha papel fundamental em todas as fases do tratamento. “A queimadura está entre os traumas mais complexos que acompanhamos dentro do ambiente hospitalar. Muitos pacientes precisam passar por diversas cirurgias, curativos especializados e um acompanhamento contínuo para controle da dor e recuperação funcional. O anestesiologista participa de todas essas etapas, contribuindo para a segurança do paciente e para a qualidade do tratamento. Por isso, quando falamos em queimaduras, a prevenção é sempre o melhor caminho”, afirma.
Segundo Rogério Nei, a dor provocada pelas queimaduras é uma das mais intensas enfrentadas pelos pacientes hospitalizados, exigindo acompanhamento especializado não apenas durante cirurgias, mas também nos curativos e demais procedimentos realizados ao longo da recuperação.
O estudo mostra ainda que alguns pacientes permaneceram internados por mais de dois meses. O tempo de internação variou entre um e 73 dias, evidenciando a gravidade de muitos dos casos registrados.
Entre as orientações para um São João mais seguro estão manter crianças afastadas de fogueiras e fogos de artifício; evitar o uso de álcool para acender fogo; redobrar os cuidados com panelas e recipientes quentes; supervisionar constantemente os menores; e seguir rigorosamente as normas de segurança no manuseio de materiais inflamáveis.
A COOPANEST-RN destaca que a prevenção continua sendo a medida mais eficaz para reduzir acidentes, evitar sequelas e preservar vidas. “Cada queimadura evitada representa menos sofrimento para o paciente e para toda a família. As festas juninas são um momento de alegria e tradição, mas também exigem responsabilidade e atenção para que a celebração não termine em uma emergência hospitalar”, reforça Rogério Nei.
Para os anestesiologistas, investir em conscientização, educação e prevenção é tão importante quanto garantir assistência especializada às vítimas. A meta é simples: fazer com que as tradições juninas sejam lembradas pela celebração e não pelas marcas deixadas por acidentes que poderiam ser evitados.
